Dos 15 aos 25

Hoje me peguei pensando o que o Guilherme de 10 anos atrás pensaria da vida que eu levo hoje em dia, se pudesse vislumbrar o futuro.  Ao mesmo tempo que algumas vezes parece que 1999 foi ontem, tanta coisa mudou na minha vida nestes anos, e tudo que aconteceu acaboude certa forma me trazendo de volta a um ponto de partida. Se eu, aos 15 anos pudesse acordar com 25, provavelmente iria chegar às seguintes conclusões sobre minha vida hoje:

Adoraria o fato de ter um celular:

Possivelmente a primeira coisa que eu notaria. Aos quinze anos era um dos aparelhos que eu mais queria, um sinal de status e “liberdade” que eu só consegui aos 16 anos. Provavelmente nem perceberia que meu aparelho é antológico considerando os modelos atuais e me entreteria com os jogos disponíveis neste celular (os quais aos 25 anos eu NUNCA sequer olhei).

Me perguntaria onde foi parar minha coleção de quadrinhos e por quê a minha coleção de CD’s foi parar no quartinho:

As duas coisas mais importantes para mim na época, hoje em dia quase não existem mais. Os CD’s viraram arquivos de Mp3 no meu computador e no meu Ipod, e acabaram residindo no quartinho daqui de casa. E os quadrinhos minha mãe se desfez quando eu fui morar do outro lado do mundo. Provavelmente eu não gostaria de metade das músicas que eu adoro hoje em dia, e me perguntaria como eu pude me desfazer de tantas preciosidades…

Não entenderia por quê e como nós deixamos de assinar TV a cabo aqui em casa:

Em 99 com a internet Dial Up aqui de casa era difícil ver fotos das meninas com quem eu conversava no twitter, imagine ver vídeos em Streaming… A TV a cabo era uma distração essencial, e eu era viciado em filmes, seriados e MTV. Nem imaginaria que hoje em dia eu quase não assisto TV e estou até um pouco aliviado de ter reduzido o número de séries que assisto para 2.

Ficaria surpreso com minha profissão:

Aos 15 meus planos eram me formar em engenharia de telecomunicações. Talvez até cogitasse ser arquiteto ou diplomata, mas não acredito que pensaria que poderia me formar e trabalhar com Comércio Exterior, e fazer uma pós em Marketing visando a área de Marketing Internacional. Provavelmente nem imaginaria as atribuições do meu emprego, ou qual a significância do meu trabalho.

Me sentiria um pouco culpado por perder completamente o contato com alguns amigos:

Minha vida social hoje em dia é composta majoritariamente de pessoas que eu conheci depois dos 18 anos, com exceção de uma meia dúzia de pessoas. Provavelmente me perguntaria onde estariam as pessoas da minha turma, aquelas que perdi completamente o contato, e por quê eu deixei grandes amigos se afastarem. Ficaria completamente arrasado ao saber o estado de saúde mental de um dos meus melhores amigos da época, e como isso afetou a estrutura familiar dele. Ficaria surpreso em saber que me aproximei de pessoas que nem imaginava, e que acabei me tornando bem mais popular e sociável com o tempo (na época eu era um nerd absorto). Ficaria desolado com algumas perdas, e nem sei como reagiria aos “ganhos”.

Não acreditaria que ainda estou morando com a minha mãe, dormindo no mesmo quarto, no mesmo apartamento:

Nem os motivos que fizeram eu largar uma vida adulta na Inglaterra para retomar essa existência adolescente aqui no Rio de Janeiro. Me sentiria um pouco frustrado por ainda estar vivendo aqui e não ter conquistado certas coisas. Acho que parte de mim ficaria aliviado em saber que mês que vem estou me mudando pra um lugar “meu”, mas provavelmente focaria a minha ótica no que eu não conquistei, ao invés de observar o quanto eu andei pelo mundo à fora e o quanto eu cresci como pessoa.

Provavelmente jamais pensaria que eu me orgulho de quem eu sou hoje, e de tudo que eu fiz até agora, tanto dos erros quanto dos acertos. E jamais entenderia como eu me sinto feliz de não ter a menor idéia de onde estarei aos 35 anos, e de como escrever esse texto me deixou feliz, uma vez que eu sinto como se os 35 estivessem ali, batendo na porta, mas lembrando quanta coisa se passou desde os 15, ainda tem uma estrada longa até lá…

Retrospectivamente,

Guilherme.

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