A rede de arame farpado

Uma vez, um dos meus professores disse que muitos de nós temos muita sorte. Porque nós somos como trapezistas de circo, sabemos os riscos que temos ao fazer nossos saltos e muitas vezes caímos do trapézio, até aprender a fazer nossos espetáculos. A sorte é que muitos de nós temos uma rede de segurança.

Como tantos, seria um tanto quanto infantil acreditar que não tenho tal rede. Mas a minha rede é especial, de arame farpado. Dessa forma toda vez que eu vejo o trapézio chegando e planejo meu salto eu sei que não vou morrer, mas que se cair, vou me machucar feio, mesmo com a rede de segurança.

Mesmo tendo aprendido a andar sobre o arame, minha pele sendo grossa  o suficiente para aguentar as espetadas do dia a dia, em quedas mais contínuas eu não só sinto a falta de uma rede convencional, como às vezes acredito que a rede de arame é mais cruel do que uma queda direta ao chão do picadeiro…

Mas, eu sigo em frente, mesmo que isso signifique andar dois quilômetros embaixo de sol quente com malas pesadas cheias de coisas que eu não pedi para trazerem, para encher uma casa que eu ainda não tenho. E ninguém compreende. Até porque, ninguém vê além da queda. Quando a cortina se fecha, quando o espetáculo acaba, sou eu quem tem que recolher os cacos, e armar novamente o circo esperando uma nova apresentação…

Malabarísticamente,

Guilherme.

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