Archive for the 'Uncategorized' Category

Inapto

Então.

Algo que eu admiro é ver gente que tem aptidão. Que sabe o que faz, como faz e porque faz. É essa gente que fica com os olhos brilhando quando vê o resultado do seu trabalho, que sorri quando encontra novos desafios, que entende exatamente o que sua posição significa.

Eu não sou assim. Definir o que eu faço pode ser absurdamente fácil. Mas o por quê é que sempre me mata. Essa mania de pensar demais sobre minha capacidade e minhas faculdades mentais para operar como um cara normal me deixa completamente paralisado.

Já estou preparado para ouvir um dia que eu não tenho o perfil ideal para trabalhar, ou conquistar um espaço. Porque eu vejo o quanto inapto eu sou diariamente, percebo erros e nem sempre luto para mudá-los. Sei das minhas imperfeições, da falta de tato, da personalidade difícil. Sei exatamente o que eu faço de certo e de errado, e quanto realmente vale o meu trabalho.

Só não sei em que dia os outros perceberão isso.

Auto-reflexivamente,

Guilherme.

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Necessidade

O que eu preciso para viver é sem sombra de dúvida muito menos do que eu tenho.

Deveria ser muito feliz, por ter o que comer todos os dias, estar saudável, ter família e amigos, um trabalho.

Mas não. Por que?

Falta estabilidade, coisa interna.

Aquele parafuso na cachola que dizem que eu não tenho.

E me parece que esse parafuso não pode ser substituído…

Mas, bem ou mal, hoje estou melhor. Não sinto necessidade de reclamar de tudo, de todos, das coisas que posso mudar e das que eu não posso.

Só sinto necessidade de dormir. E quem sabe nos sonhos, descubra uma maneira de melhorar minha percepção das coisas…

Desacordadamente,

Guilherme.

acerto

O meu erro foi não ter feito uma faculdade dessas que com o diploma na mão você pode colocar uma placa na porta da sua casa, atender pessoas e cobrar os olhos da cara.

O meu erro foi acreditar que as coisas dariam certo, e que a vida iria melhorar.

O meu erro foi continuar meus estudos, ao invés de cair na vida profissional antes do tempo.

O meu erro foi correr atrás dos meus sonhos, sem saber que eles deixariam minha vida se tornar uma insônia, a total falta de qualquer sonho que seja…

O meu erro foi permitir que meus pais se tornassem o que são hoje, e de me importar com isso, mesmo não fazendo nada para melhorar ou piorar a situação.

O meu erro é ser inteligente o suficiente pra saber que eu nunca vou conseguir certas coisas básicas, fechar certas portas e construir uma vida estável.

O meu erro é continuar insistindo nessa existência errada.

E esse erro se chama covardia.

Mexicanamente,

Guilherme.

A rede de arame farpado

Uma vez, um dos meus professores disse que muitos de nós temos muita sorte. Porque nós somos como trapezistas de circo, sabemos os riscos que temos ao fazer nossos saltos e muitas vezes caímos do trapézio, até aprender a fazer nossos espetáculos. A sorte é que muitos de nós temos uma rede de segurança.

Como tantos, seria um tanto quanto infantil acreditar que não tenho tal rede. Mas a minha rede é especial, de arame farpado. Dessa forma toda vez que eu vejo o trapézio chegando e planejo meu salto eu sei que não vou morrer, mas que se cair, vou me machucar feio, mesmo com a rede de segurança.

Mesmo tendo aprendido a andar sobre o arame, minha pele sendo grossa  o suficiente para aguentar as espetadas do dia a dia, em quedas mais contínuas eu não só sinto a falta de uma rede convencional, como às vezes acredito que a rede de arame é mais cruel do que uma queda direta ao chão do picadeiro…

Mas, eu sigo em frente, mesmo que isso signifique andar dois quilômetros embaixo de sol quente com malas pesadas cheias de coisas que eu não pedi para trazerem, para encher uma casa que eu ainda não tenho. E ninguém compreende. Até porque, ninguém vê além da queda. Quando a cortina se fecha, quando o espetáculo acaba, sou eu quem tem que recolher os cacos, e armar novamente o circo esperando uma nova apresentação…

Malabarísticamente,

Guilherme.

O que eu quero.

Algo que sempre me interessa ouvir são planos, necessidades e desejos de meus amigos mais próximos. Entre os planos que já ouvi estão ir na convenção de quadrinhos de San Diego, ir pra Nova York no carnaval de 2010, conseguir comprar um apartamento em um ou dois anos…

Tenho amigos que estão juntando dinheiro para comprar um videogame, um celular novo ou um carro, amigos que já juntaram dinheiro para mochilar o mundo, que sonham em progredir em suas empresas. Conheço pessoas que estão pagando seus casamentos, tentando, correndo atrás.

O que mais tem por aí são sonhos, seja em vitrines, em fotografias ou apenas na imaginação das pessoas.

Hoje em dia, os meus sonhos são de padaria, e o tem dias em que o que eu mais quero é dormir e acordar desse pesadelo.

Desacordadamente,

Guilherme.

Destino e Acaso

Se por acaso o destino realmente existir, gostaria de entender porque ele insiste em fazer da minha vida uma piada. Deve ser apenas tédio, ou evitando que se torne uma tragédia grega qualquer. O fato é que o destino não é um bom comediante aos meus olhos, vejo minha vida cada vez mais como um episódio de “A Praça é Nossa”, o cenário mal feito, as mesmas piadas sem graça e os personagens bizarros.

Por isso acredito que a melhor maneira é deixar o meu destino por conta do acaso… Deixar as coisas acontecerem, mesmo que sejam tortas atiradas na minha cara… O importante é manter esse bom humor, e fazer um espetáculo inesquecível mesmo com uma platéia vazia.

Zorra-Totalmente,

Guilherme.

O significado de saudade

Fiquei surpreso ao procurar definições de uma tradução na wikipédia e me deparar com um artigo em inglês sobre a palavra saudade. Depois de ver as diferenças dos artigos em inglês, francês, italiano e espanhol, descobri que saudade foi eleita a sétima palavra mais difícil de se traduzir por uma pesquisa inglesa.

Pode até ser que não se encontrem palavras para a tradução de saudade, mas seu significado é praticamente universal. Pense em alguém ou alguma coisa que fazia da sua vida mais feliz, mas infelizmente, não tem mais ao seu redor. Pense em tudo que você sente quando lembra disso.

Isso é saudade.

Linguísticamente,

Guilherme.