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Posso te ajudar?

Não sei lidar com pessoas. Logo sou péssimo em interagir com vendedores e atendentes, seja via telefone ou ao vivo. Normalmente ao invés de me deixar mais a vontade para comprar um pijama, a vendedora simpática me faz querer sair correndo da loja.

Existe uma certa pressão psicológica para adquirir alguma coisa quando um atendente dá um sorriso, e eu odeio isso. Deve ser por isso que eu odeio fazer compras em lojas com atendimento pessoal, preferindo comprar em lojas de departamento e até mesmo supermercados.

Sempre achei que eu odiava comprar coisas pelo ato em si. Mas depois que morei num país em que era difícil encontrar um vendedor prestativo para arrumar um número maior, eu entendi o motivo de eu odiar ir em lojas aqui e acabar usando minhas roupas até elas estarem em período de desintegração. É exatamente por causa desses funcionários insistentes que perguntam se queremos outro tamanho, outra cor, outro modelo…

Lá eu podia olhar o que era disponível em prateleiras, decidir o que eu queria sozinho, verificar os preços, os tamanhos, as cores eu mesmo e simplesmente me dirigir ao caixa com o produto escolhido. A vontade que eu tenho quando entro numa loja aqui é dizer “não preciso do seu atendimento, sou capaz de escolher algo, experimentar e pagar no caixa por conta própria, obrigado pela atenção”.

Obviamente hoje, por causa dessa loucura toda eu não comprei nem o pijama que eu queria comprar, nem o par de sapatos novos pro meu emprego novo. Saudades imensas da Primark e da Clarks Shoes onde eu tenho certeza que encontraria sozinho o que eu queria, e não sairia das lojas me sentindo um peixe fora da água.

Atenciosamente,

Guilherme.

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Verdades Aumentadas, ou quase-mentiras.

Se perfis falsos me fascinam, perfis “verdadeiros” de pessoas em redes sociais me dão motivos para gargalhar. Porque em sua grande maioria, estes perfis são criados de forma subjetiva, e visivelmente exagerados. Vejo de tudo na internet, gente querendo pagar de sofrida, de inteligente, de conhecedores de determinados assuntos. Pessoas querendo se exibir, aumentando seus feitos em determinadas áreas.

Tudo mentira. Ou verdades aumentadas.

Muitas análises psicológicas de problemas graves de auto-estima podem ser iniciadas apenas observando como as pessoas se descrevem em suas páginas pessoas, seus objetivos na rede, o que fazem nesse mar de informações e principalmente o que dizem fazer.

Engraçado que as pessoas mais interessantes que eu conheço não usam esses artifícios. Ou colocam exatamente o que são, sem dar informações desnecessárias ou tentar se vender, ou simplesmente estão fora desse mundo digital, mas aproveitando suas vidas reais.

Obviamente eu não sou um deles. Tirando o meu ego inflado da minha personalidade acho que não sobra nada.

Auto-reflexivamente,

Guilherme.

Dos 15 aos 25

Hoje me peguei pensando o que o Guilherme de 10 anos atrás pensaria da vida que eu levo hoje em dia, se pudesse vislumbrar o futuro.  Ao mesmo tempo que algumas vezes parece que 1999 foi ontem, tanta coisa mudou na minha vida nestes anos, e tudo que aconteceu acaboude certa forma me trazendo de volta a um ponto de partida. Se eu, aos 15 anos pudesse acordar com 25, provavelmente iria chegar às seguintes conclusões sobre minha vida hoje:

Adoraria o fato de ter um celular:

Possivelmente a primeira coisa que eu notaria. Aos quinze anos era um dos aparelhos que eu mais queria, um sinal de status e “liberdade” que eu só consegui aos 16 anos. Provavelmente nem perceberia que meu aparelho é antológico considerando os modelos atuais e me entreteria com os jogos disponíveis neste celular (os quais aos 25 anos eu NUNCA sequer olhei).

Me perguntaria onde foi parar minha coleção de quadrinhos e por quê a minha coleção de CD’s foi parar no quartinho:

As duas coisas mais importantes para mim na época, hoje em dia quase não existem mais. Os CD’s viraram arquivos de Mp3 no meu computador e no meu Ipod, e acabaram residindo no quartinho daqui de casa. E os quadrinhos minha mãe se desfez quando eu fui morar do outro lado do mundo. Provavelmente eu não gostaria de metade das músicas que eu adoro hoje em dia, e me perguntaria como eu pude me desfazer de tantas preciosidades…

Não entenderia por quê e como nós deixamos de assinar TV a cabo aqui em casa:

Em 99 com a internet Dial Up aqui de casa era difícil ver fotos das meninas com quem eu conversava no twitter, imagine ver vídeos em Streaming… A TV a cabo era uma distração essencial, e eu era viciado em filmes, seriados e MTV. Nem imaginaria que hoje em dia eu quase não assisto TV e estou até um pouco aliviado de ter reduzido o número de séries que assisto para 2.

Ficaria surpreso com minha profissão:

Aos 15 meus planos eram me formar em engenharia de telecomunicações. Talvez até cogitasse ser arquiteto ou diplomata, mas não acredito que pensaria que poderia me formar e trabalhar com Comércio Exterior, e fazer uma pós em Marketing visando a área de Marketing Internacional. Provavelmente nem imaginaria as atribuições do meu emprego, ou qual a significância do meu trabalho.

Me sentiria um pouco culpado por perder completamente o contato com alguns amigos:

Minha vida social hoje em dia é composta majoritariamente de pessoas que eu conheci depois dos 18 anos, com exceção de uma meia dúzia de pessoas. Provavelmente me perguntaria onde estariam as pessoas da minha turma, aquelas que perdi completamente o contato, e por quê eu deixei grandes amigos se afastarem. Ficaria completamente arrasado ao saber o estado de saúde mental de um dos meus melhores amigos da época, e como isso afetou a estrutura familiar dele. Ficaria surpreso em saber que me aproximei de pessoas que nem imaginava, e que acabei me tornando bem mais popular e sociável com o tempo (na época eu era um nerd absorto). Ficaria desolado com algumas perdas, e nem sei como reagiria aos “ganhos”.

Não acreditaria que ainda estou morando com a minha mãe, dormindo no mesmo quarto, no mesmo apartamento:

Nem os motivos que fizeram eu largar uma vida adulta na Inglaterra para retomar essa existência adolescente aqui no Rio de Janeiro. Me sentiria um pouco frustrado por ainda estar vivendo aqui e não ter conquistado certas coisas. Acho que parte de mim ficaria aliviado em saber que mês que vem estou me mudando pra um lugar “meu”, mas provavelmente focaria a minha ótica no que eu não conquistei, ao invés de observar o quanto eu andei pelo mundo à fora e o quanto eu cresci como pessoa.

Provavelmente jamais pensaria que eu me orgulho de quem eu sou hoje, e de tudo que eu fiz até agora, tanto dos erros quanto dos acertos. E jamais entenderia como eu me sinto feliz de não ter a menor idéia de onde estarei aos 35 anos, e de como escrever esse texto me deixou feliz, uma vez que eu sinto como se os 35 estivessem ali, batendo na porta, mas lembrando quanta coisa se passou desde os 15, ainda tem uma estrada longa até lá…

Retrospectivamente,

Guilherme.

Identificação

six feet under nate and claire

Sou filho do segundo casamento do meu pai. E do primeiro casamento da minha mãe. Portanto, consegui a difícil proeza de ser o filho mais novo do meu pai, e o filho mais velho da minha mãe.

Talvez seja por isso que eu me identifique tanto com Nate e Claire Fischer de Six Feet Under.

Enquanto para a “família do meu pai” eu serei sempre o filho mais novo que ninguém sabe direito o que será quando finalmente crescer, aqui, na “família da minha mãe” eu me vejo tendo que segurar as pontas, mesmo o meu mundo desabando completamente.

Ambos os irmãos no seriado tem inúmeras coisas em comum, não sabem o que procuram de suas vidas e seus relacionamentos são completamente desastrosos. A felicidade que eles procuram incessantemente a cada episódio parece mais com algo de conto de fadas do que algo alcançável, mesmo eles tendo alguns momentos de êxtase e sucesso.

A mãe deles está na beira da loucura, incapaz de evoluir uma mente semi-moderna e se adaptar aos tempos atuais e o pai deles jamais os conheceu de verdade.

Reconheço vários elementos dessa trama.

Esquizofrenicamente,

Guilherme.

Sobre perfis falsos

Se existe algo que me fascina nesse reino encantado da internet são perfis falsos em redes sociais. A internet permite que qualquer um crie uma nova identidade, um novo avatar, às vezes completamente original, outras baseadas em pessoas reais e personagens reais.

Eu mesmo mais de uma vez já criei perfis realísticos por diferentes razões, mas sempre que me deparo com alguém usando um perfil falso para se aproximar dos outros fico completamente curioso. Existe uma necessidade absurda da minha curiosidade nata de descobrir quem está por trás daquela foto falsa, ou pelo menos quais os motivos para a criação de tal…

O engraçado é que normalmente as pessoas não deixam dúvidas em relação à estes perfis. Adicionam pessoas de um determinado círculo social (do qual pertencem), com o motivo de se aproximar ou descobrir segredos de determinada(s) pessoa(s). Normalmente alguém por quem se nutre uma determinada obsessão.

Mais engraçado ainda é verificar a falta de criatividade das pessoas na construção de seus perfis… Claramente tentando parecer uma pessoa real, mas a falta de elementos reais no perfil acaba tirando a credibilidade. Pior ainda são as pessoas que caem nesse truque e até mesmo acreditam na existência de tal pessoa.

Semana passada um fake com uma foto de uma estrela da internet começou a adicionar pessoas aleatórias da minha faculdade. Ainda estou investigando.

Curiosamente,

Guilherme.

Viver aqui, andando de ônibus…

Logo que cheguei do outro lado do mundo, trabalhei com uma equipe de brasileiros na realização de eventos. Entre as pessoas que trabalhavam na minha equipe, estava um casal de São Paulo que começava se conhecer e se envolver. Enquanto o menino estava completamente apaixonado pela vida no primeiro mundo (acredito que ele continua lá até hoje), quando perguntaram para a moça paulistana se ela imaginava um futuro naquele país, a resposta foi imediata:

-“Viver AQUI? Andando de ÔNIBUS?”

Um dos meus maiores fracassos pessoais aos vinte e cinco anos de idade é jamais ter conseguido um veículo próprio para me locomover pelo mundo. Não é por problemas financeiros, mas pelo simples motivo que priorizei outras conquistas, como viagens e educação ao invés de um simples carro.

O problema é que eu sempre morei em cidades nas quais o sistema de transportes funciona tão perfeitamente bem, que quase nunca senti a necessidade de ter um carro próprio. Principalmente em Londres e aqui no Rio de Janeiro. Agora, me vejo partindo para a cidade natal da ex-colega de trabalho, me pergunto:

-“Viver AQUI? Andando de ÔNIBUS?”

É, acho que não dá não… Prefiro pegar um 638 qualquer aqui no RJ ou me espremer num Double Decker na Inglaterra. Estou tentando ao máximo morar numa distância caminhável do trabalho até minha casa, porque só de ir fazer entrevistas e visitar parentes eu sei o quanto é sofrível a vida de quem depende de transporte público na capital paulistana.

Mas, veremos como vai ser…

Esperando o ônibus,

Guilherme.

Anti-Pollyana

Não são poucas as pessoas que eu conheço que criam uma visão muito idealista do mundo ao seu redor. Eu mesmo acabo caindo nesse erro em muitos aspectos, acreditando demais no positivismo.

Apesar destes momentos em que eu vejo a vida melhor no futuro por cima do muro de hipocrisia que insiste em nos rodear, na maioria das situações muitas pessoas me observam como se eu fosse um imã de pensamentos negativos. A verdade é que eu sei que as coisas nem sempre acontecem “pro melhor”. Ao invés de criar um drama absurdo e ficar completamente desnorteado quando a merda acontece, normalmente eu me preparo, para aquela possibilidade, tentando amenizar as consequências. Na verdade eu procuro me preparar para todos os cenários possíveis, mas claramente e obviamente preciso ocupar meu foco nos cenários mais apocalípticos.

Não procuro que as pessoas entendam ou concordem com esse comportamento, é a forma que eu tenho de me defender e principalmente de me preparar pro chumbo grosso que pode ou não vir por aí. Não é síndrome do pânico, porque eu não fico em casa pensando que posso morrer num tiroteio, nem paranóia para andar com colete à prova de balas por aí.

Simplesmente é saber que se a coisa ficar preta, se jogar no chão é a maneira mais fácil de sair incólume. Ou, em outras palavras, a maneira mais difícil de ser acertado.

Na minha vida profissional e financeira eu sempre faço isso. E sempre acabo me esquivando, organizando a minha vida de alguma forma (inclusive quando todos que me disseram que eu estava dizendo bobagens e que o sucesso viria quase que imediatemente desapareceram quando o mundo real desmoronou na frente de quem quisesse ver).

O principal problema são meus relacionamentos pessoais, tanto com minha família, quanto com amigos e mulheres.

Aí o chumbo é grosso, e eu, idiota, estou sempre de peito aberto me jogando na frente dos tiros.

Poderia dizer que é masoquismo, mas é burrice mesmo.

Realísticamente,

Guilherme